As fotografias mostravam os veículos destruídos em meio a uma violenta tempestade.
Entre eles estava o carro azul de Sofia.
E pendurada no espelho retrovisor estava a pequena capa de chuva amarela.
A mesma que Alejandro havia reconhecido semanas antes.
Eu olhei para cima.
Você sabia disso.
Alejandro assentiu lentamente.
“Não desde o início.”
"Quando?"
“Há pouco mais de um mês.”
Minha respiração ficou ofegante.
"Um mês?"
“Encontrei alguns documentos que estavam escondidos.”
Então ele começou a explicar tudo.
Após o acidente, ele ficou hospitalizado por várias semanas.
Durante esse período, sua tia Verônica cuidou de todos os assuntos da família.
Quando finalmente começou a analisar os arquivos relacionados ao acidente, descobriu algo inesperado.
Houve outro sobrevivente.
Uma jovem chamada Sofia Navarro.
E todas as referências a ela haviam sido removidas dos relatórios que ele recebera. —Quando encontrei o arquivo completo, entendi o que tinha acontecido.
Senti raiva.
Confusão.
Dor.
“Por que você não me contou logo de cara?”
Alejandro olhou para baixo.
“Porque eu precisava de provas.”
E porque eu sabia que, se lhe contasse tudo com antecedência, você jamais aceitaria minha ajuda.”
Não pude argumentar.
Ele provavelmente tinha razão.
O verdadeiro inimigo.
Continuei lendo os documentos.
Então descobri algo ainda pior.
Um memorando assinado por Verónica Mendoza.
Ele disse:
"Recomenda-se que você não entre em contato com a família da outra vítima. Qualquer interação pode gerar responsabilidade legal desnecessária. Caso encerrado."
Caso encerrado.
Foi assim que ela se referiu à minha filha.
Como se fosse uma questão administrativa.
Como se a vida dele não importasse.
Senti uma mistura de fúria e impotência. "Ele sabia que Sofia estava viva."
"Sim."
“Eu sabia que havia uma mãe procurando por ela.”
"Sim."
“E ele escolheu nos ignorar.”
Alejandro assentiu com a cabeça.
“Foi por isso que eu precisava de você aqui.”
A comparação
Como se estivesse esperando por aquele exato momento, a porta se abriu.
Verônica acabara de retornar à casa.
Ele entrou na sala com uma expressão fria.
Seus olhos imediatamente se fixaram no envelope.
“Vejo que você finalmente contou para ele.”
Levantei-me.
“Como ele pôde fazer uma coisa dessas?”
Ela manteve a calma.
“Ele estava protegendo meu sobrinho.”
“Não. Ele estava protegendo o dinheiro.”
Pela primeira vez, sua expressão mudou.
Alejandro aproximou-se com a cadeira.
“Você vem escondendo informações há meses.”
“Tomei algumas decisões difíceis.”
“Você tomou decisões convenientes.”
Um silêncio profundo se instalou na sala.
Pela primeira vez, Verónica pareceu não ter mais argumentos.
A luta pela justiça
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